terça-feira, 29 de julho de 2008

Heróis: do céu ao inferno

Em uma semana, fui do céu ao inferno quando se fala em filmes de heróis. A primeira experiência foi com "Batman, Cavaleiro das Trevas", um filme fantástico. A segunda, com "Quarteto Fantástico", um filme que bem poderia ficar nas trevas (ah... os trocadilhos infames me perseguem).
Pode se dizer, com segurança, que as diferenças em relação ao destino das produções se resumem, primordialmente em um aspecto: roteiro.
Venci a tentação (já que falamos em inferno, mandei bem) de olhar o nome dos responsáveis em ambos os casos. Trabalhos anteriores não me influenciam na avaliação. Sei o que vi no cinema, sei o que vi na TV.
O novo Batman tem mais de duas horas de duração, o que tornou a exibição um pouco cansativa. Mas seria injusto creditar o cansaço ao filme. Ele foi uma conseqüencia do horário da sessão: domingo, 22h30.
A maior expectativa era sobre a pré-aclamada atuação final de Heath Ledger. Simplesmente genial. Pena que o rapaz se foi. Ele era realmente bom.
Há de se destacar o roteiro, redondinho que dá gosto. Coisa rara em uma época em que até grandes produções derrapam no quesito (até agora não me conformo que gastaram tantos anos e rejeitaram tantas idéias para acabar com um "Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal" tão pedestre, tão decepcionante).
O novo Batman dá conta de cavar o psicológico de seus personagens, manter a ação (que soa fantasiosa e plausível ao mesmo tempo — tirando uma ceninha com a moto do herói), mostrar as intrigas da máfia e a ação exemplar da Justiça, exibir o surgimento de um oponente maluco (e respeitável) e ainda apresentar, passo a passo, como surge um novo vilão, por dentro e por fora. É ou não é fantástico?

Depois disso, assisti "Quarteto Fantástico", que nunca me interessou, mas como ia passar na TV... A dublagem atrapalhou bastante (quem tirou o SAP do ar, heim?), mas tenho certeza que o excesso de piadinhas toscas soaria mal mesmo no inglês. E o que mais chateia no filme nem uma excelente dublagem poderia salvar (caso as falas no original não fossem boas): os furos no roteiro.
Só vou citar um, emblemático, que mostra como quem escreveu estava pouco se lixando para a plausibilidade da coisa (sim!, mesmo filmes de heróis podem ter plausabilidade!):
Lá pelas tantas, o filme apresenta um acidente na ponte, causado pelo Coisa. E eis que, sem mais nem menos, policiais aparecem como se estivessem ali só esperando por aquilo. E os bombeiros chegam rápido também (e também são vítimas de um novo acidente). Só essas aparições repentinas já haviam me incomodado. Mas tinha mais: os outros três integrantes do quarteto também aparecem na ponte... assim... ninguém sabe por que! (Aliás... eu sei sim: porque os quatro precisavam estar lá para apresentarem seus poderes ao mundo!) E o pior vem em seguida.
Os policiais que haviam aparecido do nada fazem uma barreira de isolamento. O Sr. Fantástico, então, tem a brilhante idéia: "Nós não podemos passar, mas você pode!", diz à sua ex e futura namorada, a Garota Invisível.
Pouquinho depois, além do tal isolamento, ela reclama da tarefa que recebeu ao Sr. Fantástico, que exclama: "Mas pelo menos nós passamos".
PERAÍ? Quem ficou invisível? Todo mundo? Se só ela fica invisível, como os outros passaram? Essa história tá mal contada! Opa! Esse é o ponto onde quero chegar: a história toda é mal contada.

Soube depois que existe uma versão barata e bastarda de "Quarteto Fantástico", feita em 1994 simplesmente por questões relativas aos bastidores (algo sobre o direito sobre os personagens). Também soube em que há uma cena em que a Garota Invisível desaparece e dois inimigos, frente a frente, que miravam nela, atiram um no outro. De se pensar, já que ela só desvia a luz, e não balas. Quando ela reaparece, entretanto, vemos que ela havia se agachado para evitar os tiros. Lógica pura. Fiquei interessado na cópia clandestina (a produção nem foi distribuída). Apesar de tosco (baratíssimo, com tímidos efeitos especiais), o filme deve ter roteiro mais razoável. Menos, é bem difícil.

Filmes com roteiros furados, de heróis ou não, são decepcionantes. Que sempre surja alguém para nos livrar dessa vilania.

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